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NANCY SOUZA

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

CÂNCER DE MAMA





Como são as mamas:
As mamas (ou seios) são glândulas e sua função principal é a produção de
 leite. Elas são compostas de lobos que se dividem em porções menores,
 os lóbulos, e ductos, que conduzem o leite produzido para fora pelo 
mamilo. Como todos os outros órgãos do corpo humano, também se 
encontram nas mamas vasos sanguíneos, que irrigam a mama de sangue, 
e os vasos linfáticos, por onde circula a linfa. A linfa é um líquido claro 
que tem uma função semelhante ao sangue de carregar nutrientes para
 as diversas partes do corpo e recolher as substâncias indesejáveis. 
Os vasos linfáticos se agrupam no que chamamos de gânglios linfáticos,
 ou ínguas. Os vasos linfáticos das mamas drenam para gânglios nas
 axilas (em baixo dos braços) na região do pescoço e no tórax.

Os tipos de câncer de mama:
O câncer de mama ocorre quando as células deste órgão passam a 
se dividir e se reproduzir muito rápido e de forma desordenada. A maioria 
dos cânceres de mama acomete as células dos ductos das mamas. Por 
isso, o câncer de mama mais comum se chama Carcinoma Ductal. Ele
 pode ser in situ, quando não passa das primeiras camadas de célula 
destes ductos, ou invasor, quando invade os tecidos em volta. Os 
cânceres que começam nos lóbulos da mama são chamados de 
Carcinoma Lobular e são menos comuns que o primeiro.
 Este tipo de câncer muito freqüentemente acomete as duas mamas. 
O Carcinoma Inflamatório de mama é um câncer mais raro e 
normalmente se apresenta de forma agressiva, comprometendo 
toda a mama, deixando-a vermelha, inchada e quente.

O câncer de mama, como muitos dos cânceres, tem fatores de 
risco conhecidos. Alguns destes fatores são modificáveis, ou seja, 
pode-se alterar a exposição que uma pessoa tem a este 
determinado fator, diminuindo a sua chance de desenvolver este câncer.
Existem também os fatores de proteção. Estes são fatores que, se a 
pessoa está exposta, a sua chance de desenvolver este câncer é menor.
Os fatores conhecidos de risco e proteção do câncer de mama são os seguintes:
Idade:
O câncer de mama é mais comum em mulheres acima de 50 anos.
 Quanto maior a idade maior a chance de ter este câncer. Mulheres 
com menos de 20 anos raramente têm este tipo de câncer.
Exposição excessiva a hormônios:
Terapia de reposição hormonal (hormônios usados para combater
 os sintomas da menopausa) que contenham os hormônios femininos
 estrogênio e progesterona aumentam o risco de câncer de mama. 
Não tomar ou parar de tomar estes hormônios é uma decisão que 
a mulher deve tomar com o seu médico, pesando os riscos e 
benefícios desta medicação.

Anticoncepcional oral (pílula) tomado por muitos anos também 
pode aumentar este risco.

Retirar os ovários cirurgicamente diminui o risco de desenvolver
 o câncer de mama porque diminui a produção de estrogênio 
(menopausa cirúrgica).

Algumas medicações "bloqueiam" a ação do estrogênio 
e são usadas em algumas mulheres que tem um risco muito 
aumentado de desenvolver este tipo de câncer. Usar estas
 medicações (como o Tamoxifen) é uma decisão tomada junto 
com o médico avaliando os risco e benefícios destas medicações.

Radiação:
Faz parte do tratamento de algumas doenças irradiar a região 
do tórax. Antigamente muitas doenças benignas se tratavam 
com irradiação. Hoje, este procedimento é praticamente restrito
 ao tratamento de tumores. Pessoas que necessitaram irradiar 
a região do tórax ou das mamas têm um maior risco de 
desenvolver câncer de mama.

Dieta:
Ingerir bebida alcoólica em excesso está associado a um 
discreto aumento de desenvolver câncer de mama. A associação 
com a bebida de álcool é proporcional ao que se ingere, ou seja, 
quanto mais se bebe maior o risco de ter este câncer. Tomar 
menos de uma dose de bebida alcoólica por dia ajuda a 
prevenir este tipo de câncer (um cálice de vinho, uma garrafa pequena 
de cerveja ou uma dose de uísque são exemplos de uma dose de 
bebida alcoólica).Se beber, portanto, tomar menos que uma dose 
por dia.

Mulheres obesas têm mais chance de desenvolver câncer
 de mama, principalmente quando este aumento de peso se 
dá após a menopausa ou após os 60 anos. Manter-se dentro 
do peso ideal (veja o cálculo de IMC neste site), principalmente 
após a menopausa diminui o risco deste tipo de câncer.

Seguir uma dieta saudável, rica em alimentos de origem 
vegetal com frutas, verduras e legumes e pobre em gordura 
animal pode diminuir o risco de ter este tipo de câncer. Apesar 
dos estudos não serem completamente conclusivos sobre este
 fator de proteção, aderir a um estilo de vida saudável, que inclui 
este tipo de alimentação, diminui o risco de muitos cânceres, 
inclusive o câncer de mama (veja Dieta do Mediterrâneo neste site).

Exercício físico:
Exercício físico normalmente diminui a quantidade de hormônio
 feminino circulante. Como este tipo de tumor está associado a 
esse hormônio, fazer exercício regularmente diminui o risco de
 ter câncer de mama, principalmente em mulheres que fazem 
ou fizeram exercício regular quando jovens.

História ginecológica:
Não ter filhos ou engravidar pela primeira vez tarde
 (após os 35 anos) é fator de risco para o câncer de mama.

Menstruar muito cedo (com 11 anos, ou antes) ou parar de,
 menstruar muito tarde expõe a mulher mais tempo aos hormônios
 femininos e por isso aumenta o risco deste câncer.
Amamentar, principalmente por um tempo longo, um ano ou mais
somado todos os períodos de amamentação, pode diminuir o risco
 do câncer de mama

História familiar:
Mulheres que tem parentes de primeiro grau, mães, irmãs ou
 filhas, com câncer de mama, principalmente se elas tiverem 
este câncer antes da menopausa, são grupo de risco para desenvolver este câncer.

Apesar de raro, homens também podem ter câncer de mama 
e ter um parente de primeiro grau, como o pai, com este 
diagnóstico também eleva o risco familiar para o câncer de mama.

Pessoas deste grupo de risco devem se aconselhar com o seu 
médico para definir a necessidade de fazer exames para
 identificar genes que possam estar presentes nestas famílias. 
Se detectado um maior risco genético, o médico pode propor
 algumas medidas para diminuir estes riscos. Algumas medidas
 podem ser bem radicais ou ter efeitos colaterais importantes. 
Retirar as mamas e tomar Tamoxifen são exemplos destas medidas.
 A indicação destes procedimentos e a discussão dos prós e 
contras é individual e deve ser tomada junto com um médico muito 
experiente nestes casos.

Alterações nas mamas:
Ter tido um câncer de mama prévio é um dos maiores fatores 
de risco para este tipo de câncer. Manter-se dentro do peso ideal, 
fazer exercício físico, seguir corretamente as recomendações do 
seu médico e fazer os exames de revisão anuais são medidas 
importantes para diminuir a volta do tumor ou ter um segundo
 tumor de mama.

Ter feito biópsias mesmo que para condições benignas está 
associado a um maior risco de ter câncer de mama.

Mamas densas na mamografia está associado a um maior risco
 para este tumor. É muito importante que a mamografia seja feita 
em um serviço qualificado e que o exame seja comparado com
 exames anteriores (leia mais sobre Detecção Precoce do Câncer
 de Mama neste site).

Sintomas do câncer de mama:
O câncer de mama normalmente não dói. A mulher pode sentir um 
nódulo (ou caroço) que anteriormente ela não sentia. Isso deve fazer ela 
procurar o seu médico. O médico vai palpar as mamas, as axilas e a 
região do pescoço e clavículas e se sentir um nódulo na mama pedirá
 uma mamografia.
A mulher também pode notar uma deformidade na suas mamas, ou 
as mamas podem estar assimétricas. Ou ainda pode notar uma retração 
na pele ou um líquido sanguinolento saindo pelo mamilo. Nos casos 
mais adiantados pode aparecer uma "ferida" (ulceração) na pele com 
odor muito desagradável.
No caso de carcinoma inflamatório a mama pode aumentar rapidamente
 de volume, ficando quente e vermelha.
Na maioria dos casos, a mulher é a responsável pela primeira 
suspeita de um câncer. É fundamental que ela conheça as suas mamas 
e saiba quando alguma coisa anormal está acontecendo. As mamas se 
modificam ao longo do ciclo menstrual e ao longo da vida. Porém, alterações ,
agudas e sintomas como os relacionados acima devem fazer a mulher 
procurar o seu médico rapidamente. Só ele pode dizer se estas alterações 
podem ou não ser um câncer.

Como se faz o diagnóstico de câncer de mama:
A mamografia é um Rx das mamas. Este exame também é feito para 
detecção precoce do câncer quando a mulher faz o exame mesmo 
sem ter nenhum sintoma (leia mais sobre Detecção Precoce do 
Câncer de Mama neste site). Caso a mama seja muito densa, 
o médico também vai pedir uma ecografia das mamas.
Se a mamografia mostra uma lesão suspeita, o médico indicará 
uma biópsia que pode ser feita por agulha fina ou por agulha grossa. 
Geralmente, esta biópsia é feita com a ajuda de uma ecografia para 
localizar bem o nódulo que será coletado o material, se o nódulo
 não for facilmente palpável. Após a coleta, o material é examinado 
por um patologista (exame anátomo-patológico) que definirá se esta 
lesão pode ser um câncer ou não.
Tratamento para o câncer de mama:
Existem vários tipos de tratamento para o câncer de mama. São vários
 os fatores que definem o que é mais adequado em cada caso. Antes da 
decisão de que tipo de tratamento é mais adequado o médico analisa 
o resultado do exame anátomo-patológico da biópsia ou da cirurgia se 
esta já tiver sido feita. Além disso, o médico pede exames de laboratório e
 de imagem para definir qual a extensão do tumor e se ele saiu da mama 
e se alojou em outras partes do corpo.
Se o tumor for pequeno, o primeiro procedimento é uma cirurgia 
onde se tira o tumor. Dependendo do tamanho da mama, da localização
 do tumor e do possível resultado estético da cirurgia, o cirurgião retira só 
o nódulo, uma parte da mama (geralmente um quarto da mama 
ou setorectomia) ou retira a mama inteira (mastectomia) e os gânglios axilares.
As características do tumor retirado e a extensão da cirurgia definem se a 
mulher necessitará de mais algum tratamento complementar ou não. 
Geralmente, se a mama não foi toda retirada, ela é encaminhada para radioterapia.
Dependendo do estadiamento, ou seja, quão avançada está a doença
 (tamanho, número de nódulos axilares comprometidos e envolvimento de 
outras áreas do corpo), também será indicada quimioterapia ou
 hormonioterapia. Radioterapia é o tratamento que se faz aplicando raios 
para eliminar qualquer célula que tenha sobrado no local da cirurgia 
que por ser tão pequena não foi localizada pelo cirurgião nem pelo patologista.
 Este tratamento é feito numa máquina e a duração e intensidade
 dependem das características do tumor e da paciente.
Quimioterapia é o uso de medicamentos, geralmente intravenosos, 
que matam células malignas circulantes. O tipo de quimioterápico
 utilizado depende se a mulher já está na menopausa e a 
extensão da sua doença. Hormonioterapia é o uso de medicações 
que bloqueiam a ação dos hormônios que aumentam o risco de 
desenvolver este tipo de câncer. Este tratamento é dado para aquelas
 pacientes em que o tumor mostrou ter estes receptores positivos
 (receptor de estrogênio e receptor de progesterona).
Detecção precoce do câncer de mama:
O exame de palpação realizado pelo médico e a mamografia são 
os exames realizados para uma detecção precoce desse tipo de câncer.











Como o médico faz esse exame?
O exame mais fácil de se realizar para se detectar uma alteração
 da mama é o exame de palpação. Neste exame o médico palpa toda
 a mama, a região da axila e a parte superior do tronco em busca de 
algum nódulo ou alteração da pele, como retração ou endurecimento,
 e de alguma alteração no mamilo.
A mamografia é um Raio X das mamas e das porções das axilas 
mais próximas das mamas. Nesse exame, o radiologista 
procura imagens sugestivas de alterações do tecido mamário e 
dos gânglios da axila. A ecografia das mamas pode auxiliar o 
radiologista a definir que tipo de alterações são essas.
Esses exames, quando realizados anualmente ou mais 
freqüentemente, dependendo da história individual da paciente
 (presença de fatores de risco ou história de tumores e biópsias 
prévias), pode diminuir a mortalidade por esse tipo de tumor, 
quando realizados entre os 50 e os 69 anos.
Porém, este tipo de tumor tem características diferentes para
populações diferentes. Isto altera o quanto a mamografia é eficaz 
em diminuir a mortalidade por este tipo de tumor.
Realizar esses exames entre os 40 e os 49 anos pode diminuir 
a mortalidade por este tipo de tumor, mas o efeito dessa 
diminuição só se dará quando essas mulheres tiverem mais de 50 anos.
fonte: ABC DA SAÚDE

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